Enquanto o mundo protestava no dia 1 de maio, aqui em Pindorama, com diz Elio Gaspari, a patuléia corria para a festa de centrais sindicais. Nos últimos dias tivemos uma dentista queimada viva por menores, um garotos assassinado na porta de casa por um menor, uma menina estuprada no Leblon ... Entre tantos outros absurdos, mas nos contentamos com shows de duplas sertanejas. Seríamos resilientes ou apenas subservientes?
A falta de comando político faz que passe na Câmara dos Deputados um projeto de "cura gay". Há milhões no país morrendo de fome, tuberculose, dengue, desnutrição. Há pessoas que nua família de 5,6 pessoas dividem uma mesma escova de dente. Há aqueles, muitos!, cuja casa está chafurdada no esgoto. E nossos deputados preocupados com quem as pessoas fazem sexo no aconhego de seus lares. Incrível. Aqui tolera-se a morte por doenças que já foram erradicas nos países mais desenvolvidos. Mas nossos legisladores querem nos impor seus gostos, seus jeitos, suas maneiras. Vivemos uma ditadura evangélica fascista.
Enquanto isso, a patuléia ri.
maio 02, 2013
novembro 20, 2012
Bahia Já
Amigos e amigas,
cá estou nesse feriado sem graça do dia 20. Nada contra o feriado, mas esse tempinho bunda não ajuda. Só que não entrei aqui para falar do clima. Entrei aqui para dizer que oficialmente sou colaborado do site Bahia Já. Leiam minhas matérias a começar por esta aqui e prestigiem o site.
;)
novembro 10, 2012
Minorias maiores
A reeleição do presidente Barack Obama será tratada daqui a cem anos como um fato revolucionário. Se já era histórico os Estados Unidos terem um presidente negro, imagine te-lo por dois mandatos??? Goste dele ou não, Barack (tomarei essa liberdade) já entrou para a história da humanidade por abalar estruturas que muitos achavam sedimentadas com concreto. Ele é político, mas nada convencional. E na políticia, não ser convencional sem ser ridículo é fato raro.
Barack tem defeitos? Claro. Muitas de suas ações são pura jogadas de marketing? Sim. Mas do que é feito o mundo que não de ilusão. A verdade não é para os fracos. E o que diz a verdade nessa eleição? Que tudo mudou. Da mesma forma que no Brasil hoje há uma classe emergente consumindo o que antes era impensável, a América WASP (Branca, Protestante) está minguando. Não diria sumindo porque Mitt (também tomarei essa liberdade) teve votação expressiva. Mas que a os WASPS entrarão em extinção em breve, não duvido.
Dizem que Obama foi eleito pelas minorias. Mas quando as minorias elegem um presidente há de se pensar se de fato são minorias. Obama ganhou o voto das mulheres porque entende melhor o papel que as mulheres representam na sociedade em todo o mundo. Em seu partido não há senadores defendendo o estupro. Enquanto republicanos tiverem em suas fileiras determinados tipos que já não cabem mais neste mundo, novos Obamas virão e ganharão.
Aqui, em nuestras playas, ligamos a TV e só vemos as chamadas classes C, D, E. Favelas, subúrbios, exageros bregas de vestuário, CUFA, Alemão, Empreguetes. Isso aí. O mundo mundo e a caravela tem que mudar também. Daí a importância de termos uma reforma política onde as pessoas não sejam presas simplesmente por não se levantarem em um culto evangélico dentro de uma assembléia legislativa. Respeito às liberdades e diferenças. Obama defendeu o casamento gay, ridicularizou a mania republicana de declarar guerra a qualquer coisa que respire, falou às mulheres, aos latinos, aos asiáticos. Falou à América emergente e ganhou a eleição.
O eleitor nunca é burro. Comete erros, claro. Mas não é burro. Que o nosso prefeito abra o olho. Votos em maioria não são garantia de nada.
outubro 23, 2012
Bulhufas pelo Mundo
Tem post novo no blog de viagem deste botequinho que vocês gostam tanto. Sugiram lugares, mandem dicas. Terei prazer em servi-los!
Estamos também no Facebook!
What is school for
Seth Godin é americano, autor de 15 livros sobre marketing, novas ideias, consumo etc. Gosto da maneira como ele aborda toda essa questão do mercado. Mas outro dia me deparei com o novo livro dele "Stop Stealing Dreamns - What is school for". Nele, Godin questiona o papel da escola na atual sociedade. Segundo o autor, a economia mudou e a escola não. Ela continua formando mão de obra para fábricas como no começo do século passado. Godin defende um novo objetivo para a escola.
Não li o livro, mas acho interessante que se questione o sistema de ensino numa sociedade onde as mídias tradicionais perderam espaço assim como os empregos tradicionais. Isso feito por um americano gera ainda mais surpresa - pelo meno para mim - pois lá, diferente de cá, o sistema educacional se mostra muito mais eficiente.
O que Godin questiona - e eu também - é a quebra de velhos modelos. No Brasil, por exemplo, pelo menos o que conheço das faculdades de Comunicação, forma-se profissionais para sei lá o que. Menos para o mercado. Procure pela grade de aulas de uma faculdade de comunicação e veja se lá estão aulas sobre assessoria de imprensa, comunicação em mídias sociais e afins.
Não estão. Mas é isso que o mercado demanda. Ignora-se o que a sociedade de hoje demanda. Não estou falando de mercado. Estou falando de sociedade. Pense num profissional de comunicação que não procura entender o que se passa no Twitter ou no Facebook. Complicado.
Mesmo sem ler o livro, acho que a mensagem de Godin é clara: a escola tem que preencher os vazios que o mundo atual cria. Tem que ser interessante, criativa, inovadora. No Brasil, ainda temos que fazer o dever de casa. Infelizmente, não saímos do básico. Daí o fracado da aprovação automática, totalmente mal compreendida e aplicada no Rio de Janeiro. Não sou expert em educação, apesar de ter a intenção de virar professora, mas espero que aqui a gente consiga virar essa página e trazer para perto muitos que ainda estão distantes do conhecimento.
Abaixo, a palestra de Godin:
outubro 19, 2012
Aborto, uma questão de escolha
Após uma sessão de cinco horas, o congresso uruguaio aprovou por uma pequena margem de diferença uma lei que permite o
aborto durante as primeiras 12 semanas de gestação, tornando-se assim o
terceiro país da América Latina a legalizar a interrupção da gravidez. Vamos reler: o terceiro. Entre eles, nada de Brasil.
A
lei determina que cidadãs uruguaias que queiram pôr fim à gravidez
nesse período sejam submetidas a um comitê formado por ginecologistas,
psicólogos e assistentes sociais, que lhe informarão sobre riscos e
alternativas ao aborto. Se a mulher desejar prosseguir com o
procedimento mesmo assim, poderá realizá-lo imediatamente em centros
públicos ou privados de saúde. A norma - que recebeu 17 votos a favor e 14 contra no Senado - havia sido aprovada na Câmara dos Deputados em setembro.
Na época, o Partido Nacional foi o único que manteve a integridade no
que foi acordado com seus deputados. Todos votaram contra o projeto e
disseram que, se o presidente José Mujica aprovasse a norma, iriam
promover um referendo popular sobre a polêmica. Mujica, por sua vez, já
anunciou que a lei será promulgada. Em 2008, o então presidente Tabaré
Vázquez vetou uma iniciativa similar aprovada pelo Congresso.
A
nova lei também permitirá o aborto em casos de riscos à saúde da mulher,
de estupros ou de má-formação fetal, até 14 semanas de gestação. O
Congresso uruguaio ainda discute dois temas polêmicos: a legalização do
consumo da maconha e o casamento entre homossexuais.
- Com esta
lei entramos no rol dos países desenvolvidos que, em sua maioria,
adotaram critérios de liberação do aborto, reconhecendo o fracasso das
normas penais que tentaram evitar a interrupção da gravidez - disse o
senador oficialista, Luis Gallo, durante a sessão.
Enquanto isso no Brasil, aborto não vira assunto de tema legislativo, mas sim de campanha eleitoral. Como se o aborto, única e exclusivamente, fosse a causa de nossas mazelas. Aborto é questão de saúde pública. Aborto é tema polêmico em qualquer parte do mundo. Qual medo de discuti-lo?
O que mais me intriga, no entanto, é o fato de nós mulheres não sermos consultadas sobre o tema. Digo isso porque tenho a impressão que os homens que decidem os destinos dos fetos acham que mulheres abortam por prazer e não por alguma necessidade, seja ela qual for. Eu nunca fiz. Mas se tivesse que fazer, por qualquer circunstância, faria. Mas teria que fazer em uma clínica clandestina. É como eu digo .. a gente finge que não existe enquanto uns fingem que nunca fizeram. Isso é o Brasil.
Dizem que a tradição "liberal" do Uruguai tem relação com a pouca influência religiosa no país. Pode ser. Mas países fortemente católicos como Espanha e Portugal já enfrentaram o tema. O que nos impede de ao menos discutir a questão? O Uruguai é considerado o país mais laico das Américas. E para eles dou parabéns. Pois nada mais irritante que governar levando em consideração o que Deus, Alá ou Maomé ditaram como regra há não sei quantos mil anos.
É preciso quebrar tabus e pensar na vida das pessoas. Acho que Deus prefere assim. Pelo meno o meu Deus.
outubro 17, 2012
Four more years
Por que temos tanto interesse nas eleições americanas? Eu, por força do ofício, acompanho para ficar por dentro do que de mais novo acontece nesse mundo a parte chamado "campanha eleitoral". Gostemos deles ou não, os americanos estão sempre passos e mais passos a nossa frente em quase tudo. Em se tratando de eleição, a distância é como daqui a lua. Não acompanhei o debate de ontem, dia 16 de outubro, mas já andei lendo que desta vez Obama foi mais agressivo, mais assertivo e menos apático que da primeira vez. Romney, por sua vez, manteve um certo carisma, mas deu algumas pisadas de bola. Pisadas essas que já até se tornaram memes na web.
Faço aqui uma pausa para que pensemos um pouco nas eleições de cá e lá. Em pontos que, penso, ainda não evoluimos. A obrigatoriedade do voto, por exemplo. Toda a comunicação de uma campanha americana, seja ela para qual cargo for, se dá em primeiro nível para tirar o eleitor de casa. Ser obrigado a votar não me parece nada democrático. Cobrar uma taxa ridícula pela abstenção é como fingir que votamos enquanto eles fingem que são eleitos. Será que não temos maturidade para lidar com o voto como tem que ser? Voto como exercício de cidadania, uma livre escolha. Pois acredito que só mudamos nossa rua, nosso bairro, nossa cidade e país escolhendo e cobrando daqueles que irão nos representar. Mas, podem argumentar, brasileiro gosta de praia, de samba, de cerveja e num dia de sol nunca deixaria o lazer para votar. Pois questiono de novo: a não obrigatoriedade não nos faria mais exigentes com nossos políticos? Acredito que começaríamos sim com uma baixa presença, mas penso que essa tendência aumentaria pois deputados, vereadores e senadores fariam mais pelo eleitor.
Outro ponto que me incomoda: horário eleitoral gratuito. Acredito que essa seja uma das razões de termos uma propaganda eleitoral tão bem feita. Nos Estados Unidos, compra-se espaço publicitário e, desta forma, os comitês caseiros, o voluntariado, ganham força. Um candidato sem recursos tende a correr mais por apoiadores, tende a "gastar mais sola de sapato". O tempo de TV, que no Brasil hoje significa alianças de 15, 17, 20 partidos, poderia ser algo útil. Útil até para a critividade de nós, profissionais de comunicação.
É possível fazer uma campanha com pouco tempo de TV e poucos recursos. É possível a Davi derrotar Golias como o fez Obama em 2008. Gosto de Obama. Pela sua ousadia em apostar nos fatores que passam desapercebidos: os jovens, os negros, os gays, os latinos. Obama desafia estudos e tendências. Ousa. E na política, ousar é quase um palavrão. Principalmente no Brasil, onde há duas eleições, não se discute políticas públicas, mas sim religião e kit gay. Caminhamos para o retrocesso. E isso é triste.
De volta a Obama. Votaria em Obama pelo ObamaCare e por sua candidatura cheia de surpresas, como pagar 5 dólares para jantar com o presidente. Oro por um dia onde teremos no Brasil um candidato que chute as convenções longe. E não me falem de Heloisa Helena ou Freixo. Esses berram. E só. Talvez Marina Silva ou o Lula de muitos anos atrás.
Por fim, para não ficar enfadonho, os debates. Não está na hora dos veículos de comunicação do país repensarem os formatos dos debates políticos? Ontem vimos dois candidatos em pé, respondendo a perguntas de pessoas e não de oponentes dispostos apenas a atacar. Em uma eleição com cinco, seis candidatos, pode ser complicado, mas há de se pensar em sabatinas ou entrevistas longas, de profundidade, e não apenas de oito, doze minutos.
Talvez daqui a alguns anos chegaremos ao estágio onde estão os americanos. Quem viver verá.
Disciplina
Esse blog tem muitos anos de vida e zero de disciplina. Gosto tanto dele que não desapego. Meu pequeno diário virtual. Para que ele esteja sempre tinindo e atualizado, escreverei por semana duas crônicas. Acho que assim mantenho o interesse de vocês e não perco a mão para a escrita. Gostam da idéia?
Farei o mesmo com Bulhufas pelo Mundo. Manterei o blog sempre atualizado para que os bravos viajantes encontrem nele porto seguro e cheio de informação. Vou escolher o assunto e publico essa semana ou, quem sabe, ainda hoje. A cada dois, três dias, sempre, venham aqui ler o que penso do mundo e da vida.
agosto 15, 2012
Rio de Janeiro não me seduz
Já disse a vocês que esse ufanismo carioca me irrita um pouco? Esse lance do Rio de Janeiro ser liiiiiindo, esse blá, blá. blá todo me enche o saco. Queria que a gente não dependesse tanto da natureza para ser uma cidade no sentido completo da palavra. Porque é só o que temos aqui: meia dúzia de lindas paisagens e uma porrada de coisa que simplesmente não funciona. Sem falar nos preços. Cobrar R$ 11 num cerveja é demais. Na boa. A cerveja tinha que vir com o George Clooney junto. É naquele bar ali na Lagoa. Palaphita. Porra. Além de não ter comida decente, os caras te metem a mão nos preços. Aproveitando o que? A Lagoa.
Toda vez que eu viajo para o exterior eu volto desacreditada dessa cidade. Porque a gente não consegue fazer o básico. Voce vai dar uma volta na Lagoa e se depara com uma familia inteira lavando roupa do lado dos pedalinhos. Não pode, né? Vou até ligar para o 1746. É isso? Se funcionar eu conto pra voces.
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